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Learning by Doing: o que é e como aplicar na formação

Written by Lukas Joseph | 19/set/2024 10:00:00
Neste artigoO que é o learning by doing e quais são as suas origens?Por que razão o learning by doing resulta?Qual é a metodologia do learning by doing?Quais são os exemplos práticos de learning by doing?Como aplicar o learning by doing na formação digital e na adoção de software?Como implementar o learning by doing na sua organização?
Neste artigoO que é o learning by doing e quais são as suas origens?Por que razão o learning by doing resulta?Qual é a metodologia do learning by doing?Quais são os exemplos práticos de learning by doing?Como aplicar o learning by doing na formação digital e na adoção de software?Como implementar o learning by doing na sua organização?

Learning by doing, ou aprender fazendo, é uma metodologia de formação que coloca a prática no centro da aprendizagem. Em vez de absorver teoria de forma passiva, o aprendente desenvolve competências através da execução direta de tarefas reais. Esta abordagem resulta numa retenção de conhecimento significativamente superior à da escuta ou leitura passiva, e é hoje amplamente utilizada na formação de colaboradores, na escolha dos modelos de aprendizagem organizacional e na adoção de software empresarial.

O que é o learning by doing e quais são as suas origens?

O learning by doing (em português: aprender fazendo, ou aprender pela prática) é um conceito que assenta numa ideia simples: aprende-se melhor quando se age. A frase atribuída a Aristóteles resume-o com precisão:

"Para as coisas que temos de aprender antes de podermos fazê-las, aprendemos fazendo-as."

Apesar da sua antiguidade filosófica, foi o pedagogo e filósofo norte-americano John Dewey quem sistematizou este princípio no início do século XX, tornando-o uma corrente pedagógica estruturada. Para John Dewey, a experiência direta é a base de qualquer aprendizagem significativa: o conhecimento só é verdadeiramente adquirido quando resulta de uma interação ativa com o ambiente e com os problemas reais. A sua obra influenciou profundamente a pedagogia moderna e continua a ser referência central no debate sobre metodologias de ensino ativo.

Ao longo do século XX, o conceito expandiu-se para outros domínios. Maria Montessori aplicou-o à educação infantil, com a célebre ideia de que "o que a mão faz, a mente lembra". As indústrias automóvel e aeronáutica incorporaram-no nos seus processos de formação técnica. Na área da economia, investigadores como Kenneth Arrow estudaram o papel do learning by doing no crescimento económico e na inovação industrial, demonstrando que a produtividade aumenta com a acumulação de experiência prática. Esta dimensão do learning by doing em economia continua a ser objeto de estudo em teoria do crescimento endógeno.

Mais recentemente, o Lean Management retomou estes princípios ao centrar a melhoria contínua nas práticas diárias dos próprios colaboradores, optimizando processos a partir da experiência concreta de quem os executa.

Por que razão o learning by doing resulta?

A eficácia do learning by doing tem fundamentos cognitivos sólidos. Ao ouvir, o cérebro humano mantém um nível elevado de atenção durante aproximadamente dez minutos. A partir daí, a concentração diminui, mesmo quando o tema é do interesse do formando. A prática ativa, pelo contrário, mobiliza dois fatores decisivos para a memorização:

  • Risco: Praticar implica correr um risco, o de errar, de confrontar os próprios limites, muitas vezes na presença de um especialista que corrige a prática em tempo real. O erro activa mecanismos de alerta no cérebro que favorecem a fixação da informação correcta.
  • Emoção: A experiência prática gera emoções como vergonha, satisfação, surpresa ou stress, que funcionam como marcadores eficazes na criação de memórias associadas à acção. As emoções reforçam a consolidação da aprendizagem.

A pirâmide de aprendizagem ilustra bem este contraste: a prática direta é consistentemente associada a taxas de retenção muito superiores às da escuta passiva ou da leitura.

A investigação em psicologia da aprendizagem acrescenta outro argumento: quando um formando sabe que irá ter de reproduzir uma acção imediatamente após observá-la, o cérebro activa as mesmas áreas que activaria durante a própria execução. A antecipação da prática funciona, por si só, como um mecanismo de preparação cognitiva que aumenta a atenção e a qualidade da memorização. Este princípio foi estudado por investigadores como Hayne W. Reese, cujo trabalho sobre o princípio do learning by doing em psicologia destaca que aprender a partir das consequências directas das próprias acções é qualitativamente diferente de aprender por observação.

O learning by doing baseia-se também na repetição variada. Tal como se memorizam poemas ou falas de teatro através de sucessivas repetições, a aprendizagem técnica consolida-se pela prática reiterada em contextos diferentes, o que melhora a compreensão e a capacidade de transferir o conhecimento para situações novas.

Qual é a metodologia do learning by doing?

A metodologia learning by doing não segue um modelo único. Organiza-se em torno de três grandes abordagens, que podem ser combinadas consoante os objectivos de formação:

Abordagem Descrição Exemplos
Baseada em competências Foca-se no alcance de objectivos específicos através da prática directa Exercícios práticos, simulações, tarefas guiadas
Baseada em ferramentas Usa estudos de caso e jogos de papéis para promover o envolvimento colectivo Role-playing, análise de casos reais, trabalho de grupo
Baseada em problemas Coloca o aprendente perante desafios reais que exigem solução activa Serious games, questionários iterativos, resolução de problemas

Os MOOCs (Massive Open Online Courses, ou seja, cursos online abertos e massivos) incorporaram estas abordagens no ensino digital, rompendo com a tomada de notas passiva e introduzindo ferramentas de experimentação, avaliação contínua e feedback imediato. O ciclo reflexivo proposto por Graham Gibbs, amplamente adoptado em contextos de formação baseada na experiência, estrutura este processo em seis etapas: descrição, sentimentos, avaliação, análise, conclusões e plano de acção. Trata-se de um dos quadros de referência mais citados na literatura sobre aprendizagem experiencial.

Quais são os exemplos práticos de learning by doing?

O learning by doing tem aplicações concretas em sectores muito distintos. Os exemplos seguintes ilustram a diversidade desta metodologia:

  • Realidade aumentada na formação técnica: Na empresa de distribuição de gás GRDF, os estagiários utilizam óculos conectados para aprender técnicas de soldadura sob pressão, dominando a sequência correcta de acções com uma integração de elementos virtuais e reais.
  • Aprendizagem de línguas por imersão prática: Os formandos apresentam tópicos à sua escolha na língua estrangeira e participam em discussões com colegas, desenvolvendo competências conversacionais reais em vez de decorar regras gramaticais.
  • Serious games na formação empresarial: Os colaboradores enfrentam cenários realistas de resolução de problemas, particularmente eficazes em formações de gestão, liderança ou gestão do tempo, onde o erro faz parte do processo de aprendizagem.
  • Guias interativos integrados em software: Os colaboradores aprendem a utilizar ferramentas digitais directamente no ambiente de trabalho, com orientações passo a passo que surgem no momento em que são necessárias, sem interromper as tarefas diárias.

Para uma análise aprofundada de casos reais de organizações que implementaram esta abordagem, consulte os casos práticos de integração do learning by doing em contexto empresarial.

Como aplicar o learning by doing na formação digital e na adoção de software?

A formação digital é hoje uma prioridade para as organizações que precisam de desenvolver competências de forma contínua, acessível e a custos controlados. Neste contexto, o learning by doing é especialmente relevante na adoção de software: nenhuma apresentação teórica substitui a experiência de navegar numa ferramenta real e resolver um problema concreto.

A prática activa é determinante na gestão da mudança digital. Quando os colaboradores aprendem a utilizar um novo sistema directamente no seu contexto de trabalho, e não numa sala de formação separada da realidade, a transferência de competências é mais rápida e a resistência à mudança diminui. Esta integração da aprendizagem no fluxo de trabalho diário é frequentemente referida na literatura como learning in the flow of work, e representa uma das tendências mais consolidadas no domínio do desenvolvimento de talentos.

A Lemon Learning desenvolveu uma solução que incorpora este princípio: guias interativos integrados directamente nas ferramentas de software que os colaboradores já utilizam no dia a dia. O conteúdo formativo é adicionado ao ambiente de trabalho existente, orientando cada utilizador passo a passo para as melhores práticas digitais, no momento exacto em que enfrenta uma dúvida ou dificuldade. Pode conhecer melhor as funcionalidades desta abordagem na página dedicada à solução de aprendizagem e desenvolvimento da Lemon Learning.

Esta integração do learning by doing nas rotinas diárias promove maior autonomia, reduz a dependência do suporte técnico e transforma cada colaborador num agente activo da mudança digital na organização. Para saber mais sobre as vantagens concretas desta metodologia, consulte a análise das principais vantagens do learning by doing na formação empresarial.

Como implementar o learning by doing na sua organização?

Adotar o learning by doing numa organização exige uma mudança de perspectiva: a formação deixa de ser um evento pontual para se tornar um processo contínuo integrado no trabalho real. Alguns princípios orientadores para essa transição:

  • Partir de situações reais: Os exercícios e cenários de formação devem espelhar os desafios concretos que os colaboradores enfrentam no seu dia a dia, garantindo relevância imediata.
  • Valorizar o erro como parte do processo: Um ambiente psicologicamente seguro, onde errar é visto como uma oportunidade de aprendizagem e não como uma falha, é condição indispensável para que o método resulte.
  • Garantir feedback imediato: A correcção rápida dos erros, seja por um formador, por um sistema automatizado ou por pares, é o que permite transformar a experiência em aprendizagem consolidada.
  • Variar os contextos de prática: Repetir em ambientes diferentes reforça a capacidade de transferir as competências adquiridas para situações novas.
  • Integrar a formação no fluxo de trabalho: Sempre que possível, a aprendizagem deve acontecer no contexto real de utilização, não fora dele, eliminando a distância entre teoria e prática.

Conhecer as diferentes abordagens disponíveis é o primeiro passo para uma implementação bem-sucedida. Pode explorar as soluções de software que adoptam a abordagem learning by doing para identificar as ferramentas mais adequadas à sua realidade organizacional.

FAQ
FAQ

Perguntas frequentes

O que significa learning by doing?+

Learning by doing significa, em português, 'aprender fazendo'. É uma metodologia de aprendizagem que coloca a prática no centro do processo formativo: o aprendente desenvolve competências através da execução direta de tarefas reais, em vez de absorver passivamente teoria. O conceito foi sistematizado pelo filósofo e pedagogo John Dewey no início do século XX.

Quais são os principais benefícios do learning by doing?+

Os principais benefícios incluem maior retenção de conhecimento (a prática direta supera largamente a escuta passiva em termos de memorização), desenvolvimento simultâneo de competências técnicas e comportamentais, maior autonomia dos formandos e aplicação imediata do conhecimento no contexto de trabalho real.

Como se aplica o learning by doing na formação de colaboradores numa empresa?+

Na formação empresarial, o learning by doing pode ser aplicado através de simulações, estudos de caso, serious games, realidade aumentada e guias interativos integrados diretamente nas ferramentas de software utilizadas no dia a dia. Esta última abordagem é particularmente eficaz na adoção de software e na gestão da mudança digital.

Qual é a diferença entre learning by doing e o ensino tradicional?+

No ensino tradicional, o formador transmite teoria e o formando absorve-a de forma passiva. No learning by doing, o formando tem um papel ativo: experimenta, comete erros, recebe feedback e corrige a sua prática. Esta abordagem gera maior envolvimento emocional e cognitivo, o que resulta numa memorização e transferência de competências mais duradouras.

LJ
AutorLukas Joseph

Lukas Joseph lidera a estratégia de inbound marketing e de adoção digital da Lemon Learning. Explora os usos concretos das plataformas de adoção digital nas empresas e as tendências emergentes do setor, combinando marketing de produto, crescimento B2B e formação dos utilizadores.