Os 7 Modelos Essenciais de Engenharia Pedagógica

Conheça os 7 modelos essenciais de engenharia pedagógica — ADDIE, SAM, Merrill, Gagné e mais — e saiba como escolher a abordagem certa para a sua formação.

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  • 1. Modelo SAM (Successive Approximation Model)
  • 2. Modelo ADDIE
  • 3. Modelo dos Primeiros Princípios de Merrill
  • 4. Os nove eventos de Gagné (Gagné's Nine Events of Instruction)
  • 5. Modelo de conceção de Kemp (Kemp Design Model)
  • 6. Modelo Action Mapping de Cathy Moore
  • 7. Modelo Dick e Carey

A engenharia pedagógica desempenha um papel fundamental na formação profissional e no desenvolvimento de competências. Esta abordagem visa implementar formações à medida, adaptadas aos objetivos de cada função. Existem vários modelos de engenharia pedagógica, o mais conhecido é o modelo ADDIE, , e compreendê-los é essencial para estruturar programas de formação verdadeiramente adequados às necessidades das organizações.

1. Modelo SAM (Successive Approximation Model)

O modelo SAM é considerado um método ágil de design instrucional. Concebido pelo pioneiro do e-learning Michael Allen, ajuda a criar experiências de aprendizagem motivadoras e memoráveis. Ao contrário do ADDIE, que impõe uma sequência rígida de etapas, o SAM oferece mais liberdade e criatividade no processo de conceção. As suas três fases principais são:

  • a fase de preparação,
  • a fase de conceção iterativa,
  • a fase de desenvolvimento iterativo.

Na fase de preparação, recolhem-se informações de base sobre os formandos: conhecimentos atuais, pontos fortes, pontos fracos e outros fatores relevantes. Realiza-se depois um brainstorming para identificar os aspetos fundamentais do projeto de formação e propõe-se uma conceção iterativa para cada domínio de conteúdo.

Após a criação do protótipo, este é partilhado com a equipa para revisão, permitindo corrigir fragilidades com base nos comentários recebidos. Uma vez finalizados os módulos de e-learning, estes são colocados em prática. É igualmente necessário recolher as opiniões dos formandos, avaliar o programa e, se necessário, regressar à fase de conceção iterativa para introduzir melhorias.

Diagrama ilustrativo das fases do modelo SAM de design instrucional

2. Modelo ADDIE

O modelo ADDIE é a ferramenta de referência que qualquer engenheiro pedagógico deve dominar. Estrutura os projetos de formação profissional em cinco etapas essenciais:

  • a análise do projeto,
  • a conceção,
  • o desenvolvimento,
  • a implementação da formação,
  • a avaliação.

Durante a fase de análise, é necessário clarificar pelo menos dois pontos: quem é o público-alvo e que competências deverá adquirir no final da formação. O objetivo é identificar com precisão os objetivos do projeto pedagógico. Com base nesse conhecimento, selecionam-se os métodos pedagógicos mais adequados ao contexto de trabalho dos formandos.

Representação visual das cinco fases do modelo ADDIE: análise, design, desenvolvimento, implementação e avaliação

Os conteúdos textuais, as atividades e os recursos multimédia contribuem para criar uma experiência de aprendizagem coerente. Na fase de desenvolvimento, as ideias de design ganham forma: concebem-se os conteúdos da formação, as atividades de aprendizagem e os suportes pedagógicos. A fase de implementação do modelo ADDIE consiste em colocar o programa de formação em prática, incluindo a organização logística e a utilização dos recursos desenvolvidos. Por fim, a avaliação mede a eficácia da formação, verifica se os objetivos foram atingidos e identifica formas de melhorar o dispositivo.

3. Modelo dos Primeiros Princípios de Merrill

David Merrill identificou cinco princípios de design instrucional para criar experiências de aprendizagem verdadeiramente eficazes:

  • centramento nos problemas,
  • ativação dos conhecimentos existentes dos formandos,
  • demonstração dos novos conhecimentos,
  • aplicação,
  • integração.

Esta abordagem assenta na resolução de problemas e no envolvimento ativo do formando. É necessário mostrar-lhe a tarefa a realizar e garantir que compreende o que vai aprender. Além disso, importa ativar os conhecimentos prévios dos formandos e utilizá-los como base para novas aquisições.

Os participantes precisam de ver os resultados de aprendizagem esperados e exemplos concretos de aplicação dos novos conhecimentos. O formador ou designer instrucional deve apresentá-los de forma a despertar interesse e motivação. Por fim, os formandos devem aplicar o que aprenderam e ser encorajados a partilhar o seu saber-fazer com os outros.

Ilustração dos cinco princípios de Merrill aplicados ao design instrucional

4. Os nove eventos de Gagné (Gagné's Nine Events of Instruction)

Quando utilizados em conjunto, os nove eventos de aprendizagem de Gagné formam um enquadramento pedagógico sólido e bem fundamentado. Seguindo todas as etapas, os formandos ficam mais focados e em melhores condições para assimilar novos conhecimentos e competências. Ao conceber um curso e-learning, é necessário ter em conta os nove eventos de Gagné:

  • captar a atenção,
  • fornecer objetivos de aprendizagem,
  • estimular a recordação de conhecimentos anteriores,
  • apresentar os suportes pedagógicos necessários,
  • dar indicações para facilitar a aprendizagem,
  • suscitar o desempenho,
  • fornecer feedback,
  • avaliar os desempenhos,
  • melhorar a retenção e a transferência para a função.

Estruturar a aprendizagem em etapas claras é essencial para garantir o sucesso de um projeto de formação, seja a distância, presencial ou em regime de blended learning.

5. Modelo de conceção de Kemp (Kemp Design Model)

O modelo de conceção de Kemp contribui para melhorar a implementação da aprendizagem em linha de várias formas. Permite ao engenheiro pedagógico conceber cursos mais eficazes e atrativos, que respondam genuinamente às necessidades e expectativas dos formandos. Ao eliminar etapas desnecessárias e concentrar-se nos elementos verdadeiramente relevantes, o modelo de Kemp ajuda também a poupar tempo e recursos.

Este modelo destaca-se por ser mais centrado no aprendente: coloca a ênfase na compreensão das necessidades, preferências e contexto de cada formando, de forma a adaptar o ensino em conformidade. É igualmente mais flexível do que outros modelos de engenharia pedagógica, permitindo ao designer ajustar os elementos do projeto aos seus objetivos e introduzir alterações à medida que o trabalho avança. O modelo oferece ainda um quadro claro para a avaliação e o feedback, contribuindo para melhorar a qualidade e os resultados da formação.

6. Modelo Action Mapping de Cathy Moore

O Action Mapping, ou mapeamento de ações, foi desenvolvido por Cathy Moore em 2008. Esta abordagem de design instrucional tem como objetivo resolver um problema de desempenho real na organização. O ponto de partida do processo é a identificação de um objetivo de negócio mensurável.

O mapeamento de ações ajuda a analisar o problema e a encontrar soluções práticas que podem ir além do âmbito da formação. A formação é, de facto, uma ferramenta muito útil, mas nem sempre é a solução mais adequada. A análise proposta por este modelo faz emergir problemas concretos sem qualquer relação com uma falta de competência, como uma transmissão deficiente de informações ou ferramentas difíceis de utilizar. Resolver estas dificuldades pode ser mais eficaz do que organizar uma ação de formação.

Para a criação eficaz de percursos de formação, o engenheiro pedagógico deve dominar diferentes ferramentas e conceitos próprios das ciências da educação. É esse conhecimento que lhe permite determinar a abordagem educativa mais adequada a cada situação.

7. Modelo Dick e Carey

Desenvolvido nos anos 1970 por Walter Dick e Lou Carey, o modelo Dick e Carey é uma abordagem sistemática do design instrucional que decompõe o desenvolvimento da formação em dez etapas interligadas. Garante que todos os componentes do processo de formação funcionam em conjunto para criar uma experiência de aprendizagem coerente e eficaz.

As 10 etapas do modelo Dick e Carey

  1. Identificar os objetivos pedagógicos: definir o que os aprendentes deverão ser capazes de realizar após a formação.
  2. Efetuar uma análise da aprendizagem: determinar o que os aprendentes precisam de saber e a melhor forma de apresentar o conteúdo.
  3. Analisar os aprendentes e o contexto de aprendizagem: avaliar os antecedentes dos aprendentes, os seus conhecimentos prévios e o ambiente de aprendizagem.
  4. Definir os objetivos de aprendizagem: desenvolver objetivos mensuráveis e específicos.
  5. Elaborar avaliações: conceber testes e avaliações alinhados com os objetivos definidos.
  6. Conceber uma estratégia pedagógica: selecionar os métodos, as atividades e os recursos mais adequados.
  7. Selecionar e desenvolver material pedagógico: criar conteúdo, módulos de formação e materiais interativos.
  8. Organizar as atividades de aprendizagem: estruturar as sessões de formação para uma retenção ótima dos conhecimentos.
  9. Efetuar uma avaliação formativa: testar e aperfeiçoar o material pedagógico com base no feedback recebido.
  10. Rever e melhorar o sistema pedagógico: proceder a ajustes para melhorar os resultados da aprendizagem.

Vantagens e desafios do modelo Dick e Carey

Vantagens

  • Garante uma abordagem estruturada e coerente do design instrucional.
  • Mantém a articulação entre objetivos de aprendizagem, atividades e avaliações.
  • Integra avaliações formativas para melhorar continuamente a eficácia da formação.
  • Adequado a projetos de aprendizagem de grande escala e ao planeamento pedagógico detalhado.

Desafios

  • A implementação requer tempo e recursos consideráveis.
  • Exige experiência aprofundada em design instrucional.
  • Pode revelar-se demasiado rígido para projetos de formação de pequena escala ou com prazos muito curtos.

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