A Curva da Mudança de Kübler-Ross e as 5 Etapas do Luto
Conheça a curva da mudança de Kübler-Ross, as suas 5 etapas do luto e como este modelo pode ajudar os gestores a acompanhar os colaboradores em períodos de
Todas as empresas atravessam mudanças significativas ao longo do ano. Sejam desejadas ou impostas, internas ou externas, essas mudanças afetam a organização, os colaboradores e o ambiente de trabalho. Em alguns casos, pode observar-se resistência à mudança. A curva da mudança de Kübler-Ross permite ao gestor compreender melhor essas reações e apoiar a sua equipa de forma mais eficaz.
Origem da curva da mudança de Kübler-Ross
A elaboração das 5 etapas do processo de luto resultou de mais de 500 entrevistas realizadas com doentes em fase terminal. Estas entrevistas tinham como objetivo recolher, junto desses doentes, informações sobre a sua perceção da morte e do fim de vida.
Trata-se, portanto, de um luto particular: o luto de si próprio. Ao contrário de uma pessoa que perde alguém próximo, o modelo baseia-se nas impressões de quem se prepara para deixar os seus entes queridos.
Élisabeth Kübler-Ross, psiquiatra e psicóloga suíça, identificou semelhanças nos comportamentos dos doentes face à morte (negação, choque, raiva, entre outros). Em 1969, publicou o livro On Death and Dying, que apresenta pela primeira vez as 5 etapas do processo de luto.
Hoje, os resultados desta investigação foram adaptados ao contexto empresarial e servem para preparar melhor os colaboradores face às mudanças que os afetam no trabalho.
Porquê acompanhar a mudança nas empresas?
A mudança provoca diferentes tipos de emoções no indivíduo: medo, stress, tristeza, alegria ou agressividade. Num ambiente de trabalho, quando o colaborador enfrenta uma mudança sem apoio, estas emoções podem tornar-se um obstáculo para si próprio e para a equipa.
Vários fatores influenciam a forma como cada pessoa recebe a mudança: a sua personalidade, a sua história pessoal, as suas experiências passadas e a sua atitude. Por este motivo, é fundamental que a mudança seja acompanhada. Com um bom enquadramento, o gestor pode ajudar os colaboradores a aceitar a gestão da mudança e a atravessar as diferentes fases da melhor forma possível.
Para oferecer um acompanhamento eficaz, o gestor deve ser capaz de identificar e analisar as mudanças de comportamento dos seus colaboradores, de modo a determinar em que fase do processo se encontram.
O que é a curva do luto?
Também designada «curva da mudança», a curva do luto resulta dos trabalhos de Élisabeth Kübler-Ross, classificada em 1999 entre os 100 pensadores mais importantes do século XX. Perante uma mudança significativa, cada pessoa atravessa uma série de fases emocionais que perturbam o seu quotidiano e a estabilidade da sua vida.
Formalizado por Kübler-Ross, este processo toma a forma de uma curva que descreve os diferentes períodos pelos quais uma pessoa passa quando ocorre um acontecimento imprevisto. Estas fases podem ser agrupadas em dois grandes ciclos:
Fase descendente: a pessoa adota uma atitude negativa e frequentemente contraproducente, voltada para a recusa e para o passado. É aqui que se manifesta a resistência à mudança.
Fase ascendente: o colaborador adota uma atitude produtiva, orientada para o positivo e para o futuro.
Importa sublinhar que a curva da mudança não é uma sequência linear: cada pessoa pode percorrer as fases de forma diferente e a ritmos distintos.
As 5 etapas do luto
O processo de luto compreende cinco etapas principais: a negação, a raiva, a depressão, a aceitação e a serenidade.
1. A negação
Após o anúncio de um acontecimento perturbador na vida da empresa, o colaborador, apanhado de surpresa, recusa inicialmente a realidade. Esta é a fase do choque e da negação, em que a notícia ainda não foi verdadeiramente integrada.
2. A raiva
À medida que a realidade começa a impor-se, o indivíduo pode sentir medo. Deste medo do desconhecido nasce um sentimento de frustração e de raiva. É aqui que surgem os primeiros sinais de resistência à mudança.
3. A depressão
Depois da raiva, instala-se um período de tristeza. A pessoa reconhece que a mudança é real e inevitável. Resulta daí uma forte nostalgia do passado e uma apreensão em relação ao futuro.
4. A aceitação
A partir desta etapa, os colaboradores deixam de resistir à mudança e de olhar para trás. É o momento em que conseguem superar as resistências e começar a orientar-se para o futuro.
5. A serenidade
Ao atingir esta fase, os colaboradores compreenderam e integraram a mudança. Conseguiram adaptar-se e começaram a modificar a sua forma de agir de acordo com a nova realidade.
Críticas a este modelo
As críticas ao modelo de Kübler-Ross assentam essencialmente na falta de investigação empírica que o sustente. Além disso, o facto de o modelo ter sido desenvolvido num contexto cultural e histórico específico dificulta a sua aplicação universal.
Estes argumentos foram avançados por vários especialistas, entre os quais Robert J. Kastenbaum (1932-2013), gerontologista de referência, que identificou os seguintes pontos:
não existe nenhuma prova de que todos os indivíduos confrontados com o luto atravessem necessariamente as cinco fases pela ordem descrita;
a existência destes períodos não foi demonstrada de forma empírica;
as condicionantes, os recursos disponíveis e as características do ambiente imediato de cada pessoa não são tidos em conta pelo modelo.
Um estudo realizado em 2003 por Maciejewski e colegas da Universidade de Yale obteve resultados mistos: alguns dados apontam para uma progressão em cinco etapas, enquanto outros não a confirmam.
A ausência de observação clínica objetiva e a falta de consenso na comunidade científica levam alguns autores a questionar se o modelo de Kübler-Ross é, de facto, um quadro válido ou apenas um modelo simplificado de compreensão de um processo muito mais complexo.
FAQ
Perguntas frequentes
Quais são as 5 etapas do luto segundo Kübler-Ross?+
As cinco etapas são: negação, raiva, depressão, aceitação e serenidade. No contexto empresarial, estas fases descrevem a forma como os colaboradores reagem a mudanças significativas.
Quanto tempo demora a fazer o luto?+
Não existe um prazo fixo. A duração varia consoante a pessoa, a intensidade da mudança e o contexto em que ocorre. O modelo de Kübler-Ross não é uma sequência linear nem tem duração pré-definida.
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Lukas Joseph
jan. 1, 1970
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